Confiança é a nova moeda no mercado de consumo brasileiro
A confiança se consolidou como um dos fatores mais determinantes no processo de decisão de compra no Brasil. De acordo com o estudo In Brands We Trust, parte do relatório Edelman Trust Barometer, 91% dos consumidores brasileiros consideram essencial ou decisivo confiar que a marca fará o que é certo.
Esse peso supera inclusive critérios tradicionais como preço ou conveniência, e revela uma mudança clara: o relacionamento entre marcas e consumidores está cada vez mais fundamentado em valores, ética e transparência. Mais do que produtos, o público busca posturas.
Em tempos de excesso de ofertas, quem conquista confiança conquista permanência.
Do discurso à prática: o consumidor quer verdade
O brasileiro passou a exigir mais do que qualidade e bom preço. Espera também responsabilidade social, clareza na comunicação, comprometimento com causas relevantes e práticas sustentáveis. Transparência no uso de dados e inovação responsável também ganham espaço como critérios de escolha.
Segundo a vice-presidente executiva da Edelman Brasil, Marcília Ursini, “a confiança sempre pesou na hora de alguém optar por um produto, mas agora as expectativas das pessoas evoluíram”. Isso significa que marcas que não alinham discurso e prática colocam sua reputação em risco.
Essa exigência também se reflete no comportamento pós-compra:
• 63% continuam comprando da mesma marca ao longo do tempo;
• 58% testam novos produtos da mesma empresa;
• 60% tornam-se defensores públicos da marca;
• 51% se engajam ativamente com as ações da marca.
E há outro dado revelador: 88% dos consumidores que confiam em uma marca prestam atenção às suas comunicações, mesmo em um cenário em que 77% evitam ativamente a maioria dos anúncios.
Autenticidade: a vantagem competitiva invisível
Apesar da importância da confiança, o público ainda é cético. Apenas 36% dos brasileiros dizem confiar na maioria das marcas que consomem, e 65% acreditam que muitas empresas utilizam causas sociais apenas como estratégia de marketing. O recado é claro: não basta parecer — é preciso ser.
Confiança não se compra com discurso, se conquista com coerência.
A lealdade está cada vez mais ligada à identificação com os valores da empresa. A confiança deixou de ser um bônus para se tornar um pré-requisito. E nesse novo cenário, as marcas que agirem com propósito real, constância e verdade terão uma vantagem não apenas competitiva, mas sustentável.